Dentinogênese
A formação da dentina precede e é essencial para a formação do esmalte.
Tabela de conteúdo |
[editar] Etapas
A formação da dentina realiza-se em duas etapas:
- Matriz orgânica da dentina (pré-dentina) – 30%
- Dentina (mineralização) – 70%
A formação e calcificação da dentina começam na ponta das cúspides ou bordas incisais, e avança para dentro por uma aposição rítmica de camadas cônicas uma dentro da outra. Com a conclusão da dentina radicular, a formação da dentina primária chega ao seu final.
[editar] Matriz orgânica
No início do desenvolvimento da matriz aparecem feixes de fibrilas entre os odontoblastos, que divergem num arranjo em forma de leque. São as fibras de Korff e sua origem e função na dentinogênese tem sido objeto de discussão. São constituintes importantes na matriz formada inicialmente, devido ao arranjo em leque de suas fibras, mas que mais tarde tornam-se compactos feixes de fibrilas paralelas. Os odontoblastos formam fibras colágenas e substância amorfa, e estas fibras se dispõem em espirais ao redor das fibrilas de Tomes e entre as mesmas, que foram deixadas pelos odontoblastos que se afastaram para o interior da papila. As fibras são unidas entre si pela matriz amorfa.
[editar] Mineralização da matriz
Depois que várias camadas de pré-dentina foram depositadas, começa a mineralização das camadas mais próximas a junção dentina-esmalte. Forma-se então uma faixa de matriz dentinária e os odontoblastos elaboram fosfatase alcalina, dando ao meio condições ótimas de pH para que se processe a mineralização da matriz. Nesse ínterim, íons minerais transportados pelos capilares sangüíneos da papila depositam-se na matriz orgânica como sais, sob a forma de cristais de hidroxiapatita, sobre as superfícies das fibrilas colágenas e na substância fundamental. Posteriormente os cristais são depositados dentro das próprias fibrilas. O processo geral de calcificação e gradual, mas a região peritubular torna-se muito mineralizada em pouco tempo. Embora haja crescimento dos cristais enquanto a dentina amadurece, o tamanho final dos cristais permanece muito pequeno (até 0,1).
[editar] Linhas incrementárias
O crescimento aposicional da dentina é uma deposição de matriz em forma de camadas. O crescimento aposicional é caracterizado pela deposição regular e rítmica de material extracelular, incapaz de crescer mais por si próprio. Períodos de atividade e repouso se alternam em intervalos definidos. A matriz é depositada pelas células ao longo do local delineado pelas células formadoras. As junções dentina-esmalte e dentina-cemento são diferentes entre si e em cada tipo de dente. As linhas incrementares do Owen são linhas de implicação que refletem variações na estrutura e mineralização durante a formação de dentina. Correspondem às linhas incrementais de Von Ebner que estão acentuadas devido a distúrbios no processo de mineralização. As linhas de contorno de Owen representam, radiograficamente, faixas hipocalcificadas.
[editar] Dentina radicular
Tem a mesma estrutura da dentina coronária. As linhas incrementares acham-se dispostas no sentido longitudinal em relação ao eixo do dente, demonstrando a deposição rítmica da dentina. Seus canalículos se apresentam menores, com ramificações e trajeto sinuoso discretos. Isto se deve ao fato de que os odontoblastos desta região, que são praticamente cubóides, apresentam menor atividade metabólica, elaborando dentina muito lentamente. Toda dentina radicular é envolvida externamente pelo cemento, que é uma estrutura pertencente ao periodonto de sustentação.
[editar] Limite da dentina com o cemento
A dentina se relaciona com o cemento por meio da zona granular de Tomes. Percorrendo os canalículos da porção radicular em direção ao cemento, se comprova que a imensa maioria deles desaparece ao chegar nesta. Por este motivo se acredita que a zona granular de Tomes é a terminação natural da maior parte dos canalículos radiculares.
[editar] Estrutura da bainha epitelial radicular de Hertwig
É formada pela fusão dos epitélios interno e externo do órgão do esmalte. É constituído por duas fileiras de células cúbicas ou poliédricas. As células do epitélio interno induzem a diferenciação das células do tecido conjuntivo (papila dentária) em odontoblastos, e assim que a primeira camada de dentina for depositada, a Bainha de Hertwig perde a sua continuidade e a sua relação íntima com a superfície do dente. Alguns de seus resíduos podem persistir no ligamento periodontal, são os chamados restos epiteliais de Malassez, que não apresentam nenhuma função, mas, numa possível inflamação do ligamento peridontal podem desenvolver como reação os cistos dentais. É importante citar que a Bainha de Hertwig é responsável pelos casos de rizogênese imperfeita que são encontrados em clínica.
[editar] Forma da raiz
A forma da raiz é modelada pela Bainha de Hertwig.
[editar] Dentes unirradiculares
A Bainha de Hertwig contorna todo o colo do dente assumindo a forma de um tubo cônico simples que apresenta consequentemente, um único orifício.
[editar] Dentes bi e multirradiculares
A Bainha de Hertwig forma linguetas epiteliais que se dirigem para o longo eixo do dente fusionando-se entre si. Assim, estabelece a formação do soalho da câmara pulpar e agora aquele orifício único fica dividido em dois ou três orifícios que correspondem a base das futuras raízes.
[editar] Formação da dentina radicular
- A Bainha de Hertwig migra em direção apical.
- As células do epitélio interno da Bainha de Hertwig induzem a diferenciação dos odontoblastos, a partir das células periféricas da papila dentária.
- Os odontoblastos recuam o seu corpo em direção centrípeta deixando seu prolongamento, e simultaneamente, depositam matriz de dentina.
- Mineralização da matriz: com a secreção da fosfatase alcalina elaborada pelos odontoblastos e células da camada sub-odontoblástica, ocorre a deposição de sais, principalmente de fosfato de cálcio, na forma de cristais de hidroxiapatita, cujos íons vieram dos capilares fenestrados da papila dentária.
[editar] Canais acessórios
A raiz tem habitualmente um conduto amplo e central. Entretanto, pode ocorrer a presença de 2, 3 ou mais condutos menores que recebem o nome de canais acessórios. A definição desses canais ocorre provavelmente pela deposição de dentina ao redor do vaso sangüíneo da polpa, já preexistente.